quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Perdido no tempo

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Agora a pouco acordei eufórico, meu coração parecia querer fugir pela boca. Olhei para o quarto e não reconheci.

Do meu lado havia um travesseiro rosa, cheirei-o, adoro cheirar travesseiros. Que perfume, obviamente uma garota havia dormido ali, escutei o barulho de chuveiro e fui verificar. Abri a porta do banheiro e vi uma ruiva, tomando banho, o box era transparente mas estava enuveado pelo vapor do chuveiro, ela parecia linda, disse meu nome e perguntou se eu já tinha arrumado o café da manhã, respondi que faria logo e segui caminhando por aquela casa estranha. Desci as escadas, notei que estava dentro de um chalé, cheguei à cozinha e abri a geladeira para pegar os frios, foi ali que vi o calendário. A princípio achei que era um sonho, que eu estava simplesmente demorando pra acordar, mas ela chegou silenciosamente por trás de mim e me deu um beijo, um beijo de tirar o fôlego, nesse momento vi que era realidade.

Ela pediu pra dar ração pro Nestor enquanto ela terminava de arrumar o café, eu embasbacado mas adorando aquela louca situação fui procurar a ração, achei dentro do armário e coloquei em um pote amarelo que estava sobre a pia, não foi difícil achar o Nestor, ele latia muito, abri a porta da garagem e um dálmata babão pulou em mim, ele morava na garagem junto com um Escort.

Na mesa, ela perguntou se eu havia dormido bem, respondi que sim, mas não lembrava direito de ontem à noite (na verdade não lembrava de nada ao meu redor, mas achei melhor não falar). Ela disse pra parar de ser bobo, que eu nem tinha bebido, e como um jovem de 25 anos iria ficar com amnésia repentina? Só se tivesse batido a cabeça. Eu fiquei pasmo, que eu soubesse tinha 23 anos em 2008. Não demonstrei o estado de pavor que me encontrava a essa altura, ela disse qualquer coisa sobre sair e subiu para o quarto para trocar de roupa. Avistei belas coxas por baixo daquela toalha que fazia vezes de vestido.

Agora estou aqui, sem saber o que fazer, sem saber ao menos o que pensar, acordei em outra vida, onde eu sou praticamente eu mesmo, um pouco melhorado, acho que mais magro, mas de resto igualzinho. Tenho outra namorada, uma garota alta de cabelos vermelhos que nunca vi na vida, acho que moramos juntos e temos um dálmata, ali na garagem tem um Escort 88 prata e no calendário da geladeira marca junho de 1997.

4 comentários:

Camila disse...

Há!
Muito bom!!! hehehe
Adorei a parte do Nestor!!!
E o final hein???
Bjão

Nat. disse...

Adoro evolução. Parece que tu melhorou ainda mais os textos de final inesperado! Tão legal ter uma marca, um "jeito Neto de escrever".

Continueee!
beijo!

eron disse...

Muito bom cara...meu proximo cachorro vai ser nestor boa era o nome do meu ex chefe ehheeehhee

Lucas Gabriel Ambrozi disse...

Fantástico o texto, não poderia ser melhor!! O final faz levantar os cabelos do braço.