terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Nunca é tarde para começar a pensar


Chegou em casa depois da meia-noite, foi tomar um bom banho quente. Ele não conseguia parar de pensar na cena da mulher abrindo os braços para a morte, que acabara de ver no Viaduto da Borges.


“Ela não tem família? Será que o peso do dia-a-dia dela é tão mais pesado que o meu? Deus perdoaria? Será louca? E sonhos, ela desistiu? Eu não tenho coragem de desistir. Amo minha família demais pra isso. Meu emprego nem é tão ruim, aquela bosta... E se eu largar tudo? Enlouquecer. Pirar. Quem disse que temos que enfrentar? O fim é o mesmo. Mas suicídio? Nunca. Se bem que viver nessa merda de mesmice que vivo não é vida. Será que ela se deu conta disso? Será que ela cansou? Será que a solução é essa? Corajosa. Covarde. Qual o valor da vida? Pra que serve tudo isso? Não sei. Não sei. Não sei.” 

Pensar na morte fez Marcos pensar na vida.

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