domingo, 7 de julho de 2013

A Ilha, o Escritor, a Guerra.

“Hoje, nesta ilha, aconteceu um milagre: o verão se adiantou.”

Eu que achava que o frio nunca iria passar, maldita ilha gelada. Quando resolvi me isolar nesse canto do mundo, sabia que seria assim, mas você não entende meu mau-humor, não é caro leitor? Frio em demasia não é o melhor amigo do bem-estar.

Sim, eu sei que poderia estar em qualquer outra parte do planeta, afinal eu que escrevo essa história, mas fui obrigado a começar numa ilha, agora não posso voltar atrás, só me resta reclamar.

A ilha sempre foi um bom refúgio para o começo de meus romances, a etapa em que o escritor necessita construir um novo universo, brincar de Deus. E Deus, para criar um novo universo, precisa de paz, foco e chocolate quente, o que encontro nos invernos dessa ilha.

Meu novo romance? Sim, claro. Vai ser sobre a terceira grande guerra, a guerra que começou tecnológica, mas devido aos ciberataques em massa, que destruíram todos os aparatos militares comandados a distância, terminou nas trincheiras, em batalhas corpo-a-corpo. Vou mostrar a guerra na visão de um uruguaio, gay, apaixonado por games, recrutado pelas forças latinas unidas, o exército mais poderoso no ano de 2027.

Não posso adiantar mais nada, espere pelo lançamento. Quer escutar uma passagem do livro? Está bem.

Num certo momento, quando esse oficial uruguaio estiver comandando um ataque, ele vai chamar o oficial do exército inimigo e dizer, entre lágrimas:

“E assim prosseguimos, botes contra a corrente, impelidos incessantemente para o passado.”

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