sábado, 12 de outubro de 2013

Não conte

- Atira logo filho da puta! Atira, vai! Eu já estou morto mesmo, uma bala na cabeça só vai acelerar o processo de decomposição. Cagão de merda, não tem capacidade pra isso, cagão de merda! Atira seu puto, aperta essa porra, atira logo caralho, porra, cagão de merda.

Não atirou.

- Quero um beijo teu. Só um beijinho, adorei teu cheiro. Quer beber alguma coisa? Eu pego pra ti. Adorei essa tua boca, posso beijar? Juro que não incomodo nunca mais se tu me beijar, um só, preciso desse lábios, dessa língua. Um beijo, vou embora depois, um só.

Não beijou.

- Você vai falar com ele amanhã, isso não pode acontecer! Não consigo entender como alguém age assim, ele pensa que você é o quê? Você vai dizer tudo o que ele merece escutar, cada palavra, sem poupar nada.

Não disse.

O beijo que não aconteceu.
A palavra não dita.
O tiro não dado.

O que não acontece, também vira história.

Nenhum comentário: