quarta-feira, 5 de março de 2014

A luta de todo dia

Eu, no ônibus, indo para o trabalho. Um desses empregos fodidos igual ao teu. Chegando perto da parada, levantei em direção a porta de saída. No exato momento em que fiquei de pé, uma violenta turbulência acometeu o coletivo, daquelas tremedeiras que fazem as pessoas sentadas quicarem na altura de meio metro em seus bancos, e aqueles que estão em pé usarem a força de cem homens para não cair. Claro, querido leitor, não era turbulência, eram buracos na pista, frutos da ganância de empreiteiras que utilizam asfalto barato e governantes omissos que sucateiam nossas vidas. Foi então, nesse momento de quase pavor, pendurado na barra de apoio para não cair estatelado no chão, que notei um velho homem na mesma situação, se não pior. Sorrimos um para o outro. Gritei alto “Querem nos derrubar”, ao que o velho respondeu “Não vão conseguir”.

Desci do ônibus com uma certeza, ainda estamos fortes e unidos.

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