O agiota
“É dia de festa, dança sem parar, e depois voar no azul, cruzar de norte a sul, o céu e o mar.”
Enquanto cantarolava a famigerada música do Gugu, Pesopena penetrou a ponta de uma faca no joelho esquerdo de seu cliente, que emitiu um horrendo grito de dor.
Pesopena era um cara pacato na vida íntima, mas “trabalho é trabalho, alguém tem que sustentar as crianças lá em casa”, dizia. Agiota, emprestava dinheiro a juros exorbitantes. A ponta da faca no joelho do outro era seu sistema de cobrança quando o cliente abusava.
Normalmente esse serviço seria feito por algum capanga, mas havia alguns clientes que Pesopena fazia questão de atender pessoalmente.
Matias, esse é o nome do pobre coitado do outro lado da arma branca. O motivo? Trinta mil reais que foram embora mais rápido do que chegaram. Amigo de infância de Pesopena, Matias achou que novamente sairia ileso. Ledo engano. Um dia a xícara transborda, o leite derrama, e aí não tem Deus que acuda.
“Passarinho quer dançar, o rabicho balançar, porque acaba de nascer, tchu tchu tchu.”

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