Paquera Canina

A paquera canina é mais um dos atos da vida amorosa de homens e mulheres. Antecede o flerte no supermercado e sucede o ajuntamento de trapos (acontece logo depois, aliás, quando o companheiro sente o tédio do casamento pela primeira vez e decide adotar um animal). Para ser mais preciso, ela é habitual para brasileiros de classe média (pobres não têm tempo e ricos não passeiam com seus cães, pagam alguém para isso), entre 35 e 45 anos (margem de erro de cinco anos), que obviamente criam cachorros de estimação.

Acontece mais ou menos assim: no final de cada tarde o ser humano volta do trabalho, coloca a coleira no cusco e desce (a grande maioria desses viventes mora em apartamentos) para o parque, praça ou esquina mais próximos. No local escolhido o animalzinho é liberado para defecar, urinar e fazer novas amizades, sempre com a torcida de seu dono para que essa nova amizade tenha um humano com a mesma orientação sexual. Pronto, duas cheiradas recíprocas dos peludos e deu match. Agora é só jogar conversa fora sobre pet shops da região, cuidados com os pelos, histórias engraçadas de quando eram filhotes e tentar descobrir se o dito cujo é Lula ou Bolsonaro (decisivo para a paquera continuar nos próximos dias).


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