dezessete de janeiro de dois mil e vinte e um, domingo.

Alguém liga a ignição do carro e arranca lentamente na rua ao lado, um vento agradável, pós-chuva de verão, entra pela janela do terceiro andar.

Somente agora me dei conta que moro no terceiro andar. Não costumo pensar sobre isso.


Acabei de ler um texto sobre o silêncio, o estar presente no agora.

Presente no presente, eu diria. Gostei do jogo de palavras.


Estar presente no presente é isso, é elucubrar sobre como essas palavras escritas, vão afetar um possível leitor, de um texto que ainda está sendo escrito. O que ele pode pensar e sentir quando estiver lendo, seja lá quando for, se realmente ele existir.


Mas você existe. Está aí.


Pode ser que nada tenha feito sentido até aqui, como nada faz sentido.


As máquinas que inventamos, as ideias que tivemos, pelas coisas que brigamos, o que foi realizado desde sempre nos trouxe até aqui. Nesse exato momento.


O radinho do porteiro emite um som metálico, as rodas de outro carro espalham a água acumulada no asfalto, um cachorro ao longe, bem longe, dá sinal de vida.


Prestar atenção no agora faz isso comigo, enxergar o todo.




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